O que o Rock no Vale tem a dizer à sociedade

Uma característica comum a todos os palestrantes, bandas e organizadores do Rock no Vale é o incentivo ao diálogo. Percebi isso desde a primeira reunião que fui como participante de missão urbana (Cru Campus). Poucas vezes é dada ênfase sobre algum tipo de posicionamento, é um ambiente plural. E essa é uma das coisas que o Rock no Vale tem a dizer à Igreja: seja plural.
Pela primeira vez na minha vida ouvi um funk muito bom, de letra profunda e reflexiva, com uma batida extremamente cativante e feito por um cristão. Também, pela primeira vez, vi um evento dando voz para ministérios sociais relevantes e missões urbanas e ainda abrindo o seu palco para rock de alta qualidade, de bandas confessionais e não-confessionais. Isso tudo de uma vez, no Rock no Vale.
Para você que ainda não sabe do que estou falando, o Festival Rock no Vale é um evento que têm como pilares: Cidade, Reino e Música. Ele acontece a cada 2 anos na cidade de Arujá (SP).

Cidade, Reino e Música.

Na tentativa de separar os acontecimentos por pilares, percebi que boa parte deles se encontram total ou parcialmente. Como na palestra de Antônio Carlos Costa, que de maneira profunda expôs as dificuldades que têm vivido como Pastor e ativista dos direitos humanos, relacionando sua vivência a passagem de Marta ungindo os pés de Jesus (João 12) e a importância do cuidado com os mais vulneráveis. É cidade, mas também reino.
Posso citar também o painel de missões urbanas, que trouxe para a discussão quatro projetos sociais de relevância nacional, dentre eles SP Invisível, que tem a proposta de humanizar as pessoas. Segundo os organizadores: “é um movimento de conscientização das pessoas através de histórias de pessoas em situação de rua da cidade de São Paulo”.
Outro projeto que esteve no painel é o Passarela Alternativa, que se propõe a capacitar mulheres presas e egressas do sistema prisional a fim de emancipá-las socioeconomicamente, auxiliando tanto no tempo em cárcere, como na reinserção na sociedade, utilizando a moda como ferramenta para isso. Além desses dois projetos, também estiveram presentes a Cru Campus, que trabalha com missões na universidade e a aceleradora de projetos sociais, GLOCAL.
Além dos painéis, a proposta de integrar os participantes com missões urbanas também aconteceu através do espaço missionário, onde esteve presente a Aliança Bíblica Universitária do Brasil, representada por Jessica Grant, assessora da ABUB, que contou um pouco sobre a sua experiência no evento: “Foi muito bom poder estar presente nesse espaço diverso, porém focado em alcançar o povo da cidade, esse universo que às vezes esquecemos que também é parte da missão de Deus. A melhor parte, arrisco dizer, foi o contato com as outras missões urbanas. Trocar histórias, ideias, experiências, saber como podemos ajudar uns aos outros e como podemos orar uns pelos outros.” Contou.
Jessica ainda ressaltou a importância de expôr sobre a missão nas universidades: “Foi especial a possibilidade de mostrar a muitas pessoas que nos desconheciam ou não conheciam muito bem o que está acontecendo de iniciativa missionária nas escolas, universidades e entre profissionais. É bom demais fazer a ponte entre pessoas engajadas em transformar sua escola e universidade com outras que podem apoiá-las em sua missão.” completou.

Antes de tudo, um Festival de Rock.

Para você que como eu ama música boa e a atmosfera de Festival, mas não tem tanta disposição para lidar com multidões embriagadas, o Rock no Vale é o seu lugar. O ambiente menor faz da experiência mais intimista e permite um contato maior com as bandas e palestrantes que se apresentam. É comum vê-los andando pelo evento. O rótulo “gospel” não cabe no Festival, não como usamos no Brasil. Lá a onda alternativa na música (e artes em geral) é muito presente.
Para a Relações-públicas Emanuelle Pereira, o ponto alto do evento, além dos painéis, foi o contato com os palestrantes e bandas: “Foi legal estar jantando, tomando café, almoçando com os preletores e a galera que você só admira de longe, ver eles tão perto”.
Segundo Emanuelle, os painéis superaram suas expectativas: “eu destaco sobretudo, os painéis (minha expectativa sobre eles era de ouvir reflexões mais genéricas) Deus falou muito ao meu coração, fui confrontada, orientada, consolada e tantas coisas, a palavra de Deus foi pregada naquele lugar e realmente cumpriu sua função, voltei com o coração muito grato e eu glorifico a Deus por isso.” ‘Manu’ saiu de Salvador exclusivamente para o evento.

Para Val Santos, estudante de fisioterapia (que também veio de Salvador para o evento), o Rock no Vale foi um momento de ‘renovo de esperanças’: “Infelizmente, a gente tem a péssima tendência a esquecer das coisas que nos trazem esperança. (…) Mas a cada conversa, a cada palavra, fui sendo relembrada, e muitas vezes confrontada, sobre a simplicidade do Evangelho transformador de vidas: Aquele que se compadece do pobre e não compactua com a injustiça, aquele que é luz para o perdido e força para o abatido!”, comentou.

Val também ressaltou a importância do evento para gerar uma comunidade: “Como é bom ter a certeza de que não estamos sós e que temos uma imensidão de irmãos aos quais podemos compartilhar nossas inquietações e repartir a Graça que nos foi dada!”, conclui.
O Rock no Vale é tanto um respiro para os cristãos, como uma oportunidade de mostrar algo diferente aos não-cristãos (no sentido de: Nossa! Show de música boa, de boas, isso também é possível!). Mesmo ainda sendo um tabu pra igreja, é muito bom ouvir o que os artistas não confessionais estão pensando.

O Maior Clichê do Mundo.

Dentre as bandas que trouxeram música boa, está “O maior clichê do mundo”, grupo composto pelos irmãos Lucas e Guilherme Manentti, que enxergam a participação no Rock no Vale como um divisor de águas: “Participar do RNV foi algo muito incrível que aconteceu na nossa vida e meio que mudou e dividiu duas épocas, ‘o maior clichê do mundo’ pré e pós Rock no vale, foi algo que impulsionou a gente, algo muito recompensador para uma banda que está começando.”, comentou Guilherme.
A banda viajou mais de 30 horas de carro para participar do evento como vencedores da batalha de bandas, que deu-se através de voto popular nas redes sociais, eles receberam mais de 12 mil votos na final. Guilherme contou que esse processo, apesar de cansativo, foi algo de muito impacto: “movimentou muito a cena aqui (em Criciúma) e mostrou que ‘o maior clichê do mundo’ não é dois caras, é muito mais que isso, é muita gente.”
Vida longa ao Rock no Vale!

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