Conheça o missionário que serviu em um dos países mais fechados para o evangelho

*dados da missão Portas Abertas coloca a Republica do Myanmar entre os 20 lugares mais fechados para o evangelho, do mundo inteiro. 

Por Ronaldo Lidório

A história de Adoniran Judson é um exemplo de discernimento e perseverança. Ele sonhava e se preparou para ir para a Índia empenhando-se nesse propósito. Deus tinha outros planos e o enviou para a Birmânia, atual Myanmar. Chegou naquele país ainda não evangelizado em 1813 e permaneceu até 1831.

Foi um dos missionários que mais suportou privações em sua vida- e perseverou. No primeiro ano, ainda aprendendo o birmanês, escreveu um panfleto intitulado Quem é Jesus. E ali reproduziu diversos versos bíblicos sobre Jesus Cristo, reproduziu os panfletos e os distribuiu aos que sabiam ler, mas não forma bem recebidos. Nos anos seguintes, Judson perde sua esposa e dois de seus filhos. Ele é encarcerado três vezes e também torturado, sendo pendurado de cabeça pra baixo e também forçado a andar por sobre brasas. Mesmo assim, não desistiu. 

Mais adiante, passa a ser confrontado também por seus próprios amigos da igreja que o enviara, perguntando pelos frutos do seu trabalho, que ainda não eram visíveis. Ao longo dos quase 18 anos de ministério, ele diz que enfrentou uma angustia continuada por quase 10 anos. Certamente tratava-se de uma depressas, sem diagnóstico certo naquela época.

Combalido pelas provações, não deixa de pregar o Evangelho até encontrar um birmanês que dizia ser crente, pois se convertera lendo o panfleto que ele escrevera no primeiro ano de ministério, sobre quem é Jesus. A partir daquele momento, Deus começa a derramar graça e converter dezenas, centenas, milhares de birmaneses. Ao fim do seu ministério, Adoniram Judson deixou a Birmânia com 63 igrejas plantadas é mais de 200 líderes nativos treinados na palavra. 

Hoje, a Birmânia é chamado por outro nome: Myanmar. Este é um dos países mais fechados para a evangelização ou entrada missionaria. Algo curioso nas estatísticas é que Myanmar, mesmo sendo tão fechado para ações missionárias, abriga hoje quase quatro milhões de cristãos. Anos atrás, alguns pesquisadores conseguiram entrevistar diversos destes cristãos no país, perguntando-lhes quem os levou a Cristo. A resposta sempre era a mesma:”os nossos pais”. Ao serem interpelados sobre quem levou seus pais a Cristo, eles respondiam:”os nossos avós”. É assim seguiam respondendo, lembrando as gerações passadas, até chegarem no início do século 19 quando um homem, mesmo perante as angústias da vida e provações do ministério, decidiu obedecer. 

A vida de Judson inspirou milhares de outras ao longo dos séculos. Uma delas foi Jim Elliot, missionário entre os Auca nos anos 50. Encorajado pelo exemplo de Judson, ele escreve uma de suas cartas: “viva de tal forma que, ao chegar o dia da sua morte, nada mais tenha a fazer a não ser morrer”. Deus nos abençoe a fazer o mesmo. 

Retirado do livro “Vocacionados” de Ronaldo Lidório.

Ronaldo é pastor presbiteriano e missionário ligado à Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT) e WEC Internacional. Atuou no noroeste africano por 9 anos como plantador de igrejas e tradutor do Novo Testamento, entre o povo Konkomba-Bimonkpeln. Desde 2001 serve na região amazônica entre indígenas do Brasil. É consultor nas áreas de Missiologia e Antropologia para diversas organizações missionárias. Tem sua graduação em Teologia, pós-graduação e doutoramento em Antropologia e coordena diversas iniciativas de treinamento missionário nessas áreas. É autor de 15 livros.

Referências:
“Lista mundial da perseguição”- link: https://www.portasabertas.org.br/categoria/lista-mundial/mianmar, acesso 14/08/2019; 12:11.

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