[RESENHA] Quem está perdendo quando rejeitamos nossa cultura?

Autor: Gerson borges. Título: Ser Evangélico sem deixar de ser brasileiro. 104 páginas. Editora Ultimato. Disponível para compra na Ultimato e na Saraiva

Por que cantar? Por que cantamos? Não porque Deus precise dos nossos louvores. Deus não precisa de nada (…) Não cantamos primeiramente por razões da nossa religiosidade, mas da nossa humanidade. Nossa música -e as demais expressões artísticas – são fruto da Imago Dei em nós. Criatividade. Graça comum.” 71

“Ser evangélico sem deixar de ser brasileiro” e para mim um livro especial, pois comecei a ler por ótimas indicações. parte dos meus amigos usavam aquela frase que deixa qualquer um curioso “você precisa ler esse livro, você vai gostar”, a outra parte tinha ele em sua lista de leitura para o futuro. Um livro com referências, literalmente.

Minha inquietação começou logo na frase do início do livro: “quando entramos nas igrejas evangélicas brasileiras, saímos do Brasil”, uma realidade.

“Ainda assim (depois da distorção do pecado), caricaturas do que podíamos ser como pessoas sem a chaga do pecado, trazemos em nós qualidades éticas e possibilidades estéticas. Podemos fazer coisas boas, belas e verdadeiras. Criar beleza, cultivar, fazer arte.” 39

Por que demonizamos o samba, o axe, o forró e tantos ritmos tão presentes na nossa cultura é exaltamos o pop rock americano? Ao longo da leitura Gerson Borges apresenta de maneira poética sua história (que se parece muito com a história de muitos cristãos evangélicos pentecostais) com a música brasileira.

Leitura leve de um tema que ‘dá samba’. Como o próprio Gerson diz, o livro não se propõe a dar respostas finais, mas trazer à tona um assunto ao debate. E posso dizer que ele cumpre o objetivo. Além de suscitar a reflexão de coisas que nunca tinha parado para pensar, como por exemplo a indústria gospel brasileira ser recheada de versões (cópias e mais cópias) em todos os aspectos (roupas para crentes, versões das festas folclóricas para crentes, livros para os crentes, filmes, NOVELAS).

Ser evangélico sem deixar de ser brasileiro, também fala sobre coragem e me faz pensar sobre todos aqueles que tem comprado a briga de fazer música regional, autoral e de ótima qualidade, mas que estão fora dos grandes olofotes da música cristã brasileira. Não por falta de musicalidade, ou mesmo interesse, mas pelo boicote gospel (seja intencional ou não) daquilo que tem a cara do Brasil (e que é evitado por aqueles que querem ser estadunidenses a qualquer preço).

Mas esse é papo pra outro texto.

Indico este brilhante livro para compositores cristãos, para músicos e ministros nas igrejas, para cristãos consumidores de música e para todos aqueles que amam o jeito brasileiro de ser gente.

Um livro para quem quer pensar arte, cultura, a importância do regionalismo.

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