Como um filme da Marvel pode falar de chamado missionário. [Contém Spoilers]

Você já percebeu como a história do mago supremo se parece com a dos heróis da fé?

Uma pessoa egocêntrica que após uma situação difícil descobre que o verdadeiro sentido da vida e de seus dons é viver para o que outro viva. Estou falando de Doctor Strange.

O médico Cirurgião Stephen Strange é um dedicado e competente médico, claramente o melhor e não poupa ninguém, é também extremamente orgulhoso e soberbo.

Até que algo acontece em sua vida.

Strange sofre um acidente que o deixa com múltiplas rupturas nos ligamentos das mãos, que o faz perder o movimento preciso dos dedos e seu mais precioso bem.

A partir desse momento o médico se vê sem expectativa em um mundo onde ele não é mais o melhor, como antes. Ele investe em procedimentos caríssimos, fisioterapias e muitas cirurgias, que não conseguem mudar sua nova realidade. Nesse momento conhecemos a maior motivação de Strange: ser o melhor de todos, acima de todos. Não pelas pessoas que ele salva, não por fazer algo bom, mas unicamente por seu ego. Ele se encontra amargo, a ponto de afastar a única pessoa que sempre esteve ao seu lado. Tudo sobre ele mesmo.

Paramos a história por aqui.

O Dr. Strange fazia uma coisa boa. Provavelmente salvou muitas vidas com sua profissão. Mas vemos que seu estilo de vida egocêntrico e soberbo era extremamente destrutivo, para ele e para os que estavam a sua volta. Strange tinha motivações erradas. E apesar de ser o melhor naquilo que fazia, ser um ótimo cirurgião não era o que ele deveria ser.

Para ele era uma posição confortável, fazia o que queria, tinha o que queria, entretanto ele não fazia ideia do que ainda poderia ser (e fazer).

Ao perder, o que era aos seus olhos, sua maior dádiva, Strange perde completamente o sentido e se torna obcecado por arrumar um jeito de se consertar.

E é aí que começa a virada.

Strange chega a Kamar-Kaj, um lugar no Nepal que promete a cura para as fraturas mais desacreditadas. Mas para azar do médico incrédulo, a cura viria através da fé. Uma das primeiras coisas que o arrogante cirurgião ouve é: ESQUEÇA TUDO O QUE SABE.

“Você é um homem que vê a vida através de uma fechadura e passou a vida inteira tentando expandi-la. Ver mais, saber mais. E agora sabendo que pode fazê-lo de maneiras inimagináveis você rejeita a possibilidade?” Anciã

Gosto muito dessa fala da Anciã, pois não vemos ele cogitar algo sobre sua existência, ou fé, ou espiritualidade, ou magia em nenhum momento do filme até aqui. Para nós ele era apenas um cético arrogante feliz, mas aparentemente ele tinha dúvidas, ele queria mais, sua barreira era o medo.

Começa então sua jornada de Submissão e Redenção (guarde essas palavras), algo muito familiar para aqueles que têm a convicção de seu chamado missionário, mas ainda não sabem para onde ir, qual é o melhor momento, para qual campo Deus está te chamando.

Uma jornada de esvaziamento.

Submissão, segundo o dicionário informal, significa deixar-se dominar de maneira passiva. Uma forma de subordinação. A submissão é baseada na condição de obedecer ordens de um superior.

Esse foi o primeiro passo de Strange. E deve ser o nosso como cristãos. Submeter-se a alguém que sabe mais que você, seja Deus ou alguém que Ele colocar em sua trajetória (um pastor, discipulador ou amigo).

Para a anciã seu potencial era claro, para ele não. E esse também é um dos motivos para submeter-se. Uma das melhores formas de aprender é através do relacionamento, aprendemos a falar assim, a ser gente assim. E quando temos a consciência de que estamos andando com alguém que tem algo a nos ensinar e nos submetemos podemos chegar em uma nova e melhor versão de nós mesmos.

LEMBRETE: Digo isso com muito temor, pois sei que estar em uma igreja realmente saudável é uma realidade não muito comum e existem muitos charlatões por aí, interessados em criar massa de manobra, servos obedientes a eles. E não é sobre eles que estou falando. Saiba como escolher uma igreja saudável aqui.

Rendição, ato de render-se, abrir mão, ceder. Deixar ser levado. Não é sobre você!

Depois dessa longa trajetória de submissão, rendição, Strange prova que as expectativas da Anciã estavam certas, ele realmente era maior do que imaginava. E nesse momento vemos sua redenção escolhendo o sofrimento (mesmo que eterno) pela vida das pessoas da terra. Strange se torna um herói. Verdadeiramente interessado em salvar vidas. Um médico da magia (se é que podemos dizer isso).

A história acaba de um jeito incrível, mas não vou contar o final (se bem que já já continua com o segundo filme). E uma das coisas mais lindas de se ver é que o Doutor Stephen Strange se tornou a pessoa que nasceu pra ser (sem muito romantismo e ainda cheio de dúvidas, como deve ser), e também quem os outros precisavam que ele fosse: um protetor.

Você pode dizer que é a pessoa que nasceu pra ser?

Terminei me questionando sobre o chamado, assistindo um filme da Marvel.

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