[Entrevista] “Alcance a universidade hoje para alcançar o mundo amanhã”, diz Wesley Cunha, missionário da Cru campus no Brasil

Dedicado a missões integralmente desde 2004, Wesley Cunha encontrou na universidade o seu campo missionário. Ainda como calouro de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ele conheceu a Cru Campus, ministério voltado para o contexto universitário, da Organização Missionária Cru. Hoje Wesley é diretor nacional do Ministério Campus, é casado com a Priscila (que também é missionária em tempo integral pela Cru) formada em farmácia (UFF) e tem duas filhas, Julia de 7 anos e Mariana de 3 anos. Todos participam juntos de projetos missionários.

Durante nossa entrevista, Wesley falou sobre a Cru, como ele conheceu a organização, como é ser missionário em tempo integral, como ele se sustenta, e como é estar com a família no campo missionário.

Por: Vinicius Castro.

Cristão Diferentão – O que é a Cru Campus?

Wesley – Uma organização missionária fundada por Bill Bright, em 1950. A gente vê que a universidade tem uma grande necessidade da pregação do evangelho e também é um potencial, uma oportunidade, porque ali você tem, em geral, um público jovem, que tá numa fase muito importante da vida, de tomada de decisões. E também, saindo dali eles vão atuar em todos os setores da sociedade, inclusive em áreas de liderança e influência. Uma coisa que Bill Bright enfatizava muito era isso: alcance a universidade hoje para alcançar o mundo amanhã. Uma coisa que temos visto é que a universidade também é uma plataforma ou local, de envio de pessoas para o campo missionário, porque hoje, missões mundiais precisam de todo tipo de ajuda e profissionais, e essas pessoas estão na universidade.

Cristão Diferentão – Como você conheceu a Cru campus?

Wesley Quando eu era estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFF. Ainda no meu primeiro ano de faculdade eu conheci o movimento como a maioria dos estudantes conhece: eu vi um cartaz e fiquei curioso, resolvi ir numa reunião de quebra gelo e conheci o movimento, gostei, comecei a me envolver com discipulado e depois participei de congressos e projetos.

Equipe da Cru campus na UFF, 1995.

Cristão Diferentão – Como a Cru começou no Brasil?

Wesley – Aqui no Brasil a Cru começou em 1970, com o ministério de igrejas. Não começou com o movimento universitário, treinamento com as igrejas, o movimento universitário que temos hoje começou só em 1987 e, mesmo assim, durante um bom tempo ele permaneceu menor que os outros com igrejas e atletas. Só hoje que ele tomou essa proporção maior. Hoje que eu digo, há algum tempinho.

Cristão Diferentão – Quantos missionários a Cru Campus tem hoje no Brasil?

Wesley – Cru campus no Brasil, 40 missionários, incluindo pessoal que entrou agora e ainda está levantando sustento, não estão especificamente trabalhando em alguma equipe. Inclui também alguns que trabalham numa parte mais administrativa.

Cristão Diferentão – Existem barreiras na igreja em ser um movimento voltado para a universidade?

Wesley – Eu não acho que existem barreiras em ser um movimento voltado para universidade, eu acho que muitas igrejas talvez não percebam a importância desse tipo de trabalho. Algumas percebem, mas não sabem exatamente como trabalhar e existem aquelas que realmente não estão pensando nisso.
O trabalho na universidade é algo fora do contexto da igreja local, e inclusive muitos dos que estão ali não vivenciam, não experimentam essa realidade do campus, então eles não dão atenção a isso. Não é uma barreira, é mais uma falta de visão de muitos líderes para o trabalho na universidade.

Cristão Diferentão – Só universitários podem se envolver?

Wesley – Não, estudantes universitários, profissionais, líderes e pastores de igreja podem se envolver e usar os recursos que a Cru tem para as igrejas e atletas.Temos ministérios que trabalham com esportes, inclusive esportes nas igrejas, e pessoas da área de tecnologia – temos um ministério todo voltado para estratégias digitais como evangelizar, discipular na internet, e recursos nessa área digital. Outra forma de se envolver é financeiramente: nosso trabalho é todo financiado por pessoas que são parceiras e dão suporte financeiro. Existe muita demanda, necessidade e oportunidade nessa área, a Cru é uma organização extremamente séria, idônea, com a qual você pode se envolver. Ela é reconhecida como uma das instituições mais confiáveis nessa área, aqui no Brasil e fora, então as pessoas podem se envolver financeiramente. Temos um método bem transparente e prático de como elas podem participar disso e se sentir parte daquilo que Deus está fazendo e do que Ele está para fazer através dos nossos ministérios. Obviamente as pessoas podem se envolver em oração, intercedendo pelo movimento. Qualquer pessoa que queira saber informação sobre o ministério pode entrar em contato conosco para receber informativos e assim estar orando.

Cristão Diferentão – Como um missionário da Cru campus se sustenta?

Wesley – Sou missionário em tempo integral (significa que trabalha exclusivamente com a missão) desde 2004, sendo que antes já tive uma experiência de missionário em tempo integral, em 2002, quando fui para Moçambique. Fui missionário temporário lá, trabalhando integralmente. Tanto nessa experiência de Moçambique, quanto agora, sou sustentado, como todos os missionários da Cru, através de mantenedores (que chamamos de sócios ministeriais), que são pessoas ou igrejas que abraçam o nosso ministério e nos sustentam financeiramente. Usamos o termo ‘sócios’ ou parceiros, porque entendemos que eles são uma parte do ministério, e não apenas pessoas que dão ajuda. São participantes do que Deus está fazendo através de nós. Enxergamos o trabalho de levantamento desses parceiros, a comunicação com eles, a oração por eles, e tudo mais, como uma parte do nosso ministério também, é uma maneira de estar desenvolvendo neles uma visão missionária, um entendimento que eles estão contribuindo com algo que é do reino de Deus. Minha esposa também é missionária em tempo integral desde 2008, estamos a bastante tempo nessa caminhada.

Cristão Diferentão – Como é ter família no campo missionário?

Wesley – Acho que essa pergunta difere muito de missionário pra missionário, de lugar pra lugar, ministério para ministério, e até mesmo a idade dos filhos, quantos filhos são, eu acho que isso varia bastante. Posso dizer que não é uma coisa muito fácil, porque os filhos trazem limitações. Por exemplo, hoje, se eu quiser fazer uma viagem missionária com a minha família, eu não posso fazer em qualquer época do ano pois minhas filhas estudam, tem escola. Então isso traz limitações, mas não é de todo impossível.

O que a gente tenta fazer ao máximo é envolver esses filhos naquilo que a gente faz. Em congressos, projetos, a gente leva as crianças, tentamos fazer com que essas sejam atividades divertidas pra eles, e eles crescem com isso. Os outros estudantes também acabam tendo uma referência de família cristã, bem perto deles, então acredito que o ministério ganha de outras formas.

Equipe do projeto L21 em Vitória, 2016

Cristão Diferentão – Conte para nós uma experiência que você tenha tido como família missionária.

Wesley – Uma experiência que vem na minha cabeça agora é quando a Júlia, minha filha mais velha, tinha dois anos e meio, fomos participar juntos, como família, de um projeto missionário, em Viçosa/MG, e foi uma experiência muito legal em família. Inclusive a experiência de ir de carro, a gente saiu do Rio e foi pra viçosa, que é longe. Estar lá também durante um mês, conviver com outras duas famílias que também estavam lá e tinham uma criança pequena, foi ótimo pra Julia, para a sociabilidade dela.

Ministerialmente também foi muito legal, pois me lembro que a gente evangelizou um muçulmano nessa cidade, um rapaz que estava a pouco tempo no Brasil e estava estudando, fazendo uma pós em Viçosa. E essa oportunidade surgiu porque ele achou curioso a minha esposa com a minha filha pequena na universidade. Isso fez com que tivéssemos o primeiro contato e depois tivemos uma conversa muito marcante com aquele rapaz, que entendeu o evangelho, o que Cristo fez por nós na cruz. Ele estava ouvindo pela primeira vez e se emocionou bastante. As famílias chamavam muita atenção, as mães e as crianças comendo no bandejão, é uma cena muito inusitada né, você não vê isso em um bandejão universitário. Foi uma experiência muito rica. São boas experiências para os estudantes porque eles gostam de conviver, são bons exemplos de famílias estáveis para muita gente, glória a Deus. Faz muita diferença ter famílias com crianças nos projetos.

Mães comendo com os filhos no bandejão, durante o projeto missionário na cidade de Viçosa/MG

Há uma outra experiência que aconteceu em Vitória/ES, quando eu já tinha a segunda (filha). Ficamos hospedados na Missão Avalanche, que o trabalho é com uma galera bem underground (a organização missionária Avalanche trabalha com missões urbanas), e foi uma experiência nova para eles nos receberem com crianças. Eles falaram pra gente que nunca receberam crianças lá, inclusive há um tempo atrás encontrei com a Andreia Vargas (uma das diretoras do Avalanche) e ela me disse: “ah vocês que estavam lá com as crianças pequenininhas”. Na época em que nos hospedamos lá ela estava fora operando, mas soube depois, vimos como foi marcante para eles.

Cristão Diferentão – O que você diria para quem sente que tem vocação missionária e se sentiu inspirado através da nossa entrevista?

Wesley – Cara, eu acho que: ‘se joga’. Tudo muda de acordo com a visão que você têm de Deus. Se você tem uma visão do Pai de amor que Deus é, você não vai ter medo de se lançar naquilo que Ele está te chamando. Nenhum pai – e eu sou pai, posso dizer isso-, castigaria ou puniria um filho que chegasse para ele e falasse: “pai eu quero te obedecer, eu vou te obedecer em tudo que você me mandar fazer, todas as suas direções”, nenhum pai ficaria bravo com isso, pelo contrário, ele o abraçaria, beijaria e como um pai faria de tudo para que esse filho tivesse o melhor destino possível. Então quando a gente confia em Deus e sabe que Ele está nos chamando para fazer alguma coisa a gente pode se lançar e confiar nEle.

Conheça mais sobre a Cru – uma comunidade acolhedora de estudantes apaixonados por conectar pessoas à Jesus.

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